Março 2019

Em compasso de espera

 

Ibovespa deve seguir sem claro direcionamento em março


Fevereiro foi marcado por pausa na alta do Ibovespa, com nomes mais ligados à atividade doméstica corrigindo,
mas parcialmente compensados pela alta de ações ligadas ao ciclo global, como Petrobras, Suzano e Vale. No
Brasil, a proposta da Reforma da Previdência surpreendeu positivamente. O foco agora está na interlocução do
governo com a Câmara, e o tamanho da diluição da reforma. No internacional, uma melhora do sentimento em
relação à China e às negociações comerciais entre os EUA e a China trouxe suporte aos mercados. O Brasil aponta
na direção correta, e seguimos otimistas, mas no curto prazo vemos o índice sem direcionamento claro, e
continuamos sugerindo proteções. Na nossa Carteira Recomendada XP, buscamos exposição aos temas: (1) juros
baixos por mais tempo (RENT, TIET, BTOW), (2) crescimento retomando, mas de maneira mais gradual (ITUB,
BBAS, AZUL); e (3) cíclicos globais descontados (JBS, SUZB, VALE, PETR).


Proposta da Reforma da Previdência surpreende, foco agora na articulação


O governo apresentou em fevereiro o texto final da Reforma da Previdência ao Congresso. Dura e abrangente,
prevê economia de R$1,17tri ao longo de 10 anos, com os principais destaques vindo das regras de transição e
aposentadorias dos servidores públicos. A percepção é que a proposta já veio com gordura para negociações. Os
principais pontos de embate hoje são a aposentadoria rural e o benefício de prestação continuada para idosos de
baixa renda, o que poderia diluir a proposta para algo próximo de R$900bi, enquanto a flexibilização na regra de
transição também é provável no processo. A expectativa do mercado é de economia entre R$600-800bi pós
diluições, com o consenso mais próximo à banda inferior. O principal entrave é a desarticulação política do
governo até o momento, mas temos visto tentativas de corrigir o rumo, o que, caso se concretize, traria otimismo.
Esperamos aprovação da reforma na Câmara no final do semestre, com o Senado potencialmente em outubro.


O crescimento deve ser mais gradual e os juros baixos por mais tempo


A nossa economista chefe, Zeina Latif, vem destacando que o crescimento poderia desapontar o mercado (que
ainda espera 2,5%, acima dos nossos 2%). Ao longo das últimas semanas, temos visto convergência nessa direção.
O PIB do 4T despontou, fechando 2018 em 1,1%, o que se carrega para 2019. A retomada do mercado de trabalho
segue tímida (12% de desemprego), enquanto os dados de crédito para janeiro apresentaram leve desaceleração.
Do lado positivo, uma retomada mais gradual, combinada à expectativa de aprovação da Reforma da Previdência,
torna mais provável um cenário de juros baixos por mais tempo, o que é positivo para a bolsa.


Mercados globais seguem em alta


Após forte alta no mês de janeiro, os mercados globais continuaram a recuperar em fevereiro. A China foi o
grande destaque, sustentada por anúncio do presidente americano Donald Trump de que irá adiar o prazo de 1 de
março para aumento de tarifas americanas sobre importações chinesas, em conjunto com suavização da sua
retórica a respeito de medidas contra o setor de tecnologia. Vale destaque também para os contínuos anúncios de
estímulo por parte do governo chinês, que devem dar sustentação ao crescimento ao longo dos próximos meses.
Nos EUA, a postura mais branda do Banco Central Americano (Fed) em relação à alta de juros foi reforçada. O
mercado agora espera juros estáveis até o final de 2019.


Seguimos otimistas e o caminho para 125k pontos continua delineado para 2019


Como destacamos no relatório de Perspectivas para o ano, 2019 pode ser transformacional para o Brasil.
Mantemos visão de que bolsa é a melhor classe de ativos no Brasil, com risco-retorno atraente. Em um cenário
pessimista, com a reforma diluída/atrasada, o Ibovespa poderia finalizar 2019 em 87.500 pontos (9% de queda), o
que se compara aos 125.000 pontos do nosso cenário base, com a aprovação da reforma no 3T (30% de alta).

 

Relatório completo no link.